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Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)

Autor: Dr. Marlone Cunha-Silva, MD | Publicado em 18/05/2021

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é a causa mais comum de procura a um Gastroenterologista. A prevalência no Brasil é de 10 a 30%, afetando bastante a qualidade de vida dos pacientes. Trata-se do retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, causando sintomas como pirose (azia, queimação) e regurgitação (sensação de que o bolo alimentar está subindo para a garganta).

O diagnóstico da doença é clínico porém a endoscopia digestiva alta tem o papel importante de identificar a presença e a gravidade de erosões no esôfago (esofagite), evidenciar hérnia hiatal, além de detectar complicações, como estreitamentos, úlceras, esôfago de Barrett ou tumores, mas o exame pode ser normal em mais da metade dos pacientes, o que não exclui o diagnóstico de DRGE. O exame que tem maior especificidade para o diagnóstico é a pHmetria esofágica de 24h, mas esta só está indicada em alguns casos selecionados.

Além da pirose e regurgitação, outros sintomas que podem estar presentes são tosse crônica, rouquidão, asma, náusea, ardência e sensação de bolo na garganta, dor torácica e dificuldade de deglutição. Se não tratada, a esofagite pode progredir para estágios mais avançados, como o esôfago de Barrett, uma lesão pré-maligna, e este evolui para o adenocarcinoma (câncer) de esôfago.

A presença dos sintomas descritos indica necessidade de procurar um Gastroenterologista Clínico para avaliação e terapia adequada. Uma boa relação médico-paciente é fundamental para o sucesso do tratamento, que está baseado em dois pilares:

  1. Modificações no estilo de vida: redução do consumo de álcool, tabagismo, controle do peso, redução de ingestão de chocolate, gordura, fritura, enlatados, embutidos, condimentados, chás pretos, café, bebidas gaseificadas, fracionar refeições, não comer e deitar, não tomar líquido junto às refeições, entre outras medidas.
  2. Tratamento medicamentoso: inibidores de bomba de prótons são as principais medicações.

O tratamento clínico, quando realizado corretamente, controla os sintomas da maioria dos pacientes. Em alguns casos, especialmente quando existe hérnia de hiato volumosa, pode haver indicação de cirurgia, mas isso deve ser avaliado criteriosamente. A terapia endoscópica também pode ser necessária em alguns pacientes.

Não fique com esses sintomas desnecessariamente! Além do incômodo, eles podem trazer muitos riscos no futuro. Não faça também uso crônico e inadvertido de medicações. Procure um Gastroenterologista para orientar adequadamente, prescrever os medicamentos nas dosagens e períodos de uso corretos, além de fazer a vigilância na detecção de complicações da DRGE.